quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Reprovar quem não aprendeu ?


No fim de ano, o que fazer com um aluno que não aprendeu o suficiente? Dar bomba, para que repita o ano ? Ou deixá-lo passar ? Tal indagação é fruto da tese de Luciana Luz, orientada pelo professor Rios Neto da Universidade Federal de Minas Gerais ( UFMG ). A tese permite comparar um aluno que repetiu o ano por não saber a matéria com outro que foi aprovado em condições similares. Os números mostram com meridiana precisão : um ano depois, os repetentes aprenderam menos do que alunos aprovados sem saber o bastante. Ao que parece, para os repetentes, é a mesma chatice do ano anterior, somada à frustração e à auto-estima chamuscada. Se formos mais além da tese. Não reprovando, a nação economiza recursos, pois com a repetência, o estado paga a conta duas vezes. E, como sabemos por meio de muitos estudos, os repetentes correm muito mais risco de uma evasão futura. A história não termina por aí. A angústia de decidir se devemos aprovar quem não sabe torna-se assunto secundário, diante da constatação de que o aluno não aprendeu. Infelizmente todo final de ano somos obrigados a conviver com tal dilema que só aumenta em números a cada ano e o que fazer ? Não sei. Lamento. O medo da repetência leva a minoria de classe média a estudar, para evitar os castigos, já nas famílias mais modestas não há medo nem pressão para que os filhos estudem. Se a família não priorizar a educação de seus filhos e a escola não fizer com que os alunos de fato aprendem, o professor sempre estará com a corda no pescoço e o país com altíssimo nível de repetência. Basta melhorar a qualidade da educação para todos.

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